Quanto guardar de imposto todo mês sendo autônomo?
A dúvida que ninguém te ensina na escola: qual percentual separar para não ser pego de surpresa no DAS e no Imposto de Renda.
Esta é provavelmente a pergunta mais comum de quem está começando como autônomo ou acabou de abrir o MEI. O mês vai bem, entram pagamentos, e aí vem a dúvida: quanto desse dinheiro não é meu de verdade?
A resposta depende da sua situação, mas existe uma regra geral que funciona para a maioria dos autônomos brasileiros.
Se você é MEI
O MEI paga o DAS — Documento de Arrecadação do Simples Nacional — que é um valor fixo mensal, independente do quanto você faturou. Em 2026 os valores são aproximadamente:
| Atividade | DAS mensal (aprox.) |
|---|---|
| Comércio e indústria | R$ 71,60 |
| Prestação de serviços | R$ 75,90 |
| Comércio + serviços | R$ 76,90 |
O DAS é fácil — é fixo. O que pega os MEIs de surpresa é o Imposto de Renda. Se o seu faturamento ultrapassar R$28.559,70 no ano (faixa de isenção), você pode ter que declarar e pagar IR na pessoa física.
Regra segura para MEI: separe 10% de cada recebimento para uma reserva de impostos. O DAS sai dali. O que sobrar fica como proteção para o IR ou para reinvestir no negócio.
Se você é autônomo sem CNPJ
Aqui a situação muda. Sem CNPJ, você está sujeito ao carnê-leão — um recolhimento mensal obrigatório de IR para quem presta serviços e recebe de pessoas físicas. Os percentuais seguem a tabela progressiva do IR:
| Rendimento mensal | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 2.259,20 | Isento |
| R$ 2.259,21 a R$ 2.826,65 | 7,5% |
| R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 | 15% |
| R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 | 22,5% |
| Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% |
Além do carnê-leão, você ainda paga o INSS como contribuinte individual — 20% sobre o valor recebido, com teto no salário máximo de contribuição.
Regra segura para autônomo sem CNPJ: separe entre 25% e 30% de cada recebimento. Sim, parece muito — mas é realista. Quem não separa acaba debitando do próprio bolso na hora do ajuste.
A conta que ninguém faz mas todo mundo deveria
Imagine que você fatura R$5.000 em um mês. Se for MEI prestador de serviços:
- DAS: ~R$ 76 (fixo)
- Reserva para IR: R$ 500 (10%)
- Total separado: ~R$ 576
- Líquido seu: ~R$ 4.424
Se for autônomo sem CNPJ com o mesmo faturamento:
- INSS (20%): R$ 1.000
- IR carnê-leão (alíquota 27,5%, com deduções): ~R$ 700
- Total separado: ~R$ 1.700
- Líquido seu: ~R$ 3.300
A diferença é enorme — e é exatamente por isso que formalizar como MEI costuma compensar para a maioria dos prestadores de serviço.
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Resumo rápido
- MEI: separe 10% de cada recebimento + pague o DAS fixo todo mês
- Autônomo sem CNPJ: separe 25–30% e pague o carnê-leão mensalmente
- Independente da situação: separe antes de gastar, não depois